Fugir de ti, me prender dentro
de mim. Olhar só aqui dentro e te encontrar mesmo assim. Eu posso bater a porta
do carro toda vez que tocarem em seu nome. Posso me isolar de todos. Não
adiantará, pois você não está por aí.você está por aqui. Dentro de mim. Você
continua em mim. Eu posso desligar o celular, quebrar o computador, deixar de
ler jornais ou deixar de ver noticiários, apertar meus pulsos, fechar meus
olhos, prender a respiração, olhar pra coisas diferentes, pegar o ônibus
errado só pra evitar o mesmo caminho e os mesmo pensamentos, enfrentar uma fila
de banco por dia. Eu também posso mudar as palavras, as minhas palavras. Posso
encher a boca com palavras diferentes, mudando tons, com cantos diferentes,
posso ir em todos os cantos do mundo que não falem de você. Mas não adiantaria,
pois você ainda está em mim. Como uma cicatriz. Tantas vezes eu tentei te
arrancar de mim. Tantas vezes eu tentei suprir a necessidade de você com coisas
ou pessoas diferentes. Mas sim, você sempre será ‘a onda que me arrasta e me
leva pro teu mar’ ... e eu estou aqui. Mais uma vez ... no teu mar. Tantas
promessas quebradas no decorrer desse tempo. Tanto ‘eu’. Tanto ‘você’. Tão
pouco ‘nós’. Tantas palavras separando minha boca da sua. Como eu pude me
permitir me perder tanto de você ? Como eu deixei aquele ‘nós’ daquela quase
manhã de domingo, se tornasse tão efêmero em nossas vidas ??? Tantos encontros
e desencontros. Tanta vida na minha. Tanta vida na sua. E tanta falta da sua na
minha. Queria dizer que minha saudade é TANTA,
que nem sei mais o que fazer.

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